Quando alguém realmente especial chega

Ah, os apelos… Os apelos de amor rasgados! Há algo mais inútil?

Quando alguém realmente especial chega, você não precisa pedir para que ele te dê uma chance: ele dá.

Você não precisa inventar peripécias para que ele te convide para sair: ele convida.

Você não precisa pedir para que ele entre na sua vida: ele entra.

Você não precisa pedir para andar de mãos dadas: ele não te deixa solta na rua como uma pipa no furacão.

Você não precisa avisar você é um tesouro: ele sabe.

Você não precisa insistir para que ele desabafe suas angústias: ele desabafa.

Você não precisa dar indiretas de que elogios são essenciais: ele te elogia.

Você não precisa insinuar que seria delicado se ele retirasse seu perfil do Tinder: ele retira.

Você não precisa colher sôfrega raspas e restos do chão: ele te dá tudo que é de vocês dois e ele se dá todo.

Você não precisa pedir que ele te beije sempre a boca e que durma abraçado em você e que deixe seus líquidos de amor secarem devagar pelas peles coladas: seus corpos se entendem muito antes da linguagem existir.

Você não precisa pedir para que ele te mostre seus segredos mais íntimos: ele se derrama todo em você. E com naturalidade.

Você não precisa implorar baixinho para que um dia, talvez, quem sabe, se possível, ele diga que te ama: palavras carinhosas escorrem em cascata pela boca, pelos olhos e sobretudo pelas atitudes dele.

Porque quando alguém realmente especial chega, você não precisa pedir mais nada.

(Este texto faz parte do meu livro “Loucura de Estimação” pela e-galáxia).