A validade do amor

Qual o prazo de validade do amor?

Pense em todas as vezes em que você disse a alguém que o amava, que nunca havia experimentado aquela imensidão de sentimento, que queria ficar com ele para sempre, que ele era o homem da sua vida, que você estava apaixonada até o talo da alma, etc., etc., etc. Lembrou?

Ótimo. Agora me diga: aqueles arrebatamentos todos, aquelas frases todas, que em algum momento foram reais, ainda valem hoje? Uma por uma? Todas?

Se todas as palavras românticas que se derramaram pela sua boca no passado não têm mais validade, as que foram ditas para você também não têm. A validade do amor é agora.

De amor que foi ninguém vive. Você já viu imagens que simbolizam Buda jejuando? Tentar se alimentar do amor que foi é como caminhar sobre a terra à imagem e semelhança de um Buda em jejum. Dói olhar, quanto mais sentir, quanto mais viver morta assim.

Amor eterno é o que é agora e no agora se renova – não o amor que foi declarado em mil novecentos e bolinha e nunca mais, não o amor que vive só na boca da pessoa e não nas suas atitudes, não o amor que tenta se impor por constantes exigências.

Amor bom é o que existe hoje. Se houve uma ruptura porque você quis assim, porque ele quis assim ou porque vocês dois assim quiseram, qual a razão para continuar parada suspirando num espaço que não existe mais? O que foi um dia chamado de amor hoje é vaso quebrado, é tecido roto: não mantém a água dentro dele, não agasalha seu corpo. Saia daí. Saia imediatamente daí!

Dizem que o amor verdadeiro é eterno e que se não é eterno é porque não era amor verdadeiro. Muito bem. Mas algo só pode ser chamado de eterno se houver renovação constante – senão a eternidade foi para o espaço. Se é amor, se é eterno, só há uma maneira de provar: ele ser todos os dias.

Obs.: Esta crônica faz parte do meu mais recente livro “Loucura de Estimação” pela e-galáxia.