Numa estrela pode brilhar com o coração partido (uma crônica de amor rasgado)

Você nunca saberá que eu fiquei petrificada naquele banco à sua espera muito depois de você ter dito que não viria. Você nunca saberá da saudade com que eu te esperava e do destino dessa saudade agora sem porto.

Você nunca saberá que tenho esfregado minhas costas contra o asfalto selvagem na esperança de que asas brotem em meio à carne viva e me tirem daqui.

Você nunca saberá que não há ninguém no mundo que eu queira mais abraçar de novo do que você e que não há ninguém no mundo que eu tema mais abraçar de novo do que você.

Você nunca saberá da noite de desespero em que me sentei no chão, debaixo de uma tempestade gelada de raios e ventos, nunca saberá que a luz acabou, que um gerador gemia de vez em quando no fim do quarteirão com sua claridade verde espectral, que os raios brancos e tortos como veias me faziam ver que o mundo ainda estava lá, apesar de eu mesma duvidar de que estivesse, e de que ali, sob a chuva, por muito, muito tempo eu implorei a Deus para que tirasse você de dentro de mim.

Você nunca saberá que ouvir Hozier é uma faca com a qual eu voluntariamente me estripo todos os dias e que nessa faca está escrito seu nome.

Você nunca saberá que comprei uma árvore de arame e luz. E que agora retorço seus galhos tentando recriar a forma da árvore sob a qual nos beijamos a primeira vez.

Você nunca saberá que vi “Stardust” e em qual parte chorei. Nunca saberá que “sim, eu sei que o amor é incondicional; mas também sei que ele pode ser imprevisível, inesperado, incontrolável, insuportável”. Nunca saberá que, apesar de nenhuma estrela poder brilhar com o coração partido, eu estou fazendo o melhor que posso. Nunca saberá o quanto eu lamento por você e por todos os homens que não escolhem as mulheres-estrelas.

Você nunca saberá que antes de morrer, na última lufada que meu peito expelir, quando eu estiver definitivamente vazia de oxigênio, quando houver apenas uma vitalidade infinitesimal no meu corpo sem ar, será em você que eu irei pensar, será por você que eu condensarei minha última umidade humana e derramarei a última lágrima quente.

Você nunca saberá que continuarei a te procurar debaixo da terra fria. E que meus cabelos crescerão como raízes e seguirão crescendo século após século, até te encontrar de novo. E quando isso acontecer, meus fios cansados sentirão os seus cabelos famintos em busca de outra mulher. Você nunca saberá, mas vai continuar a me ferir e a me abandonar e a me assombrar para todo, todo o sempre.

(Não deixe de ver o vídeo: há uma mensagem fundamental nele).