Qual a maneira mais rápida de acabar com seu relacionamento?

Qual a maneira mais rápida de acabar com o que seu relacionamento tem de bom? Fácil: aja como se fosse mãe do seu homem. Nós, mulheres, estamos afogando nossas relações românticas nesse poço. Temos a péssima tendência de tratar nossos homens como filhos que precisam ser educados, modificados, alertados a cada passo fora da curva. Desse modo nos tornamos criaturas chatas, ranzinzas, castradoras, controladoras, insuportáveis.

Sim, é papel da mãe, em certa medida, ser a chata da história: a que pede mil vezes para o filho escovar os dentes, a que fica no pé para que ele faça a lição de casa, a que ensina de novo e de novo que não se come com a boca aberta. Mas namoradas, esposas, companheiras – me desculpe pela constatação óbvia –, não são mães dos seus homens.

Duas cenas aparentemente desconectadas me chamaram a atenção para isso. Na primeira, estava eu numa pequena reunião com amigos e a namorada de um deles, com o cenho carregado, vira e mexe cochichava algo em seu ouvido, ao que ele respondia contrafeito, também em voz baixa. Na quinta ou sexta vez eu ouvi o conteúdo do cochicho: ela chamava sua atenção quanto ao modo como ele havia cortado o porco, fazendo com que as fatias se esgarçassem em tiras compridas. Bem, o porco estava uma delícia e a mim pouco importava que ele viesse em tiras ou em fatias para o meu prato, mas a moça parecia cheia de razão em sua intransigência. Mais para frente, após um novo cochicho sobre sabe-se lá qual detalhe, o namorado respondeu alto o bastante para que todos ouvíssemos: “Para de me censurar: que coisa chata!”. Chata ficou a noite mergulhada naquela atmosfera baixo astral.

Outra cena. Ontem, atravessando a rua, desviei de uma moto que ocupava metade da faixa de pedestres. Pude ouvir uma moça na garupa dizer ao homem que dirigia: “Não para em cima da faixa!” e ele responder “Não dava pra parar em outro lugar!”. De fato, ele tinha razão. Quando o sinal fechou sua moto e um ônibus estavam emparelhados subindo a rua de mão dupla. O ônibus parou e o único espaço que sobrou para que a moto não ficasse no contrafluxo foi a faixa de pedestres. Ele não deveria ter emparelhado com o ônibus, é verdade, mas naquele contexto o único lugar seguro era onde ele parou. Aposto que aquela mulher na garupa não era irmã do homem ou sua amiga, ali estava um belo espécime de namorada-mãe ou esposa-mãe.

E lá vamos nós de novo para a terra do óbvio: namorado ou marido é homem, não filho!

E antes que me cobrem, já adianto que existe a variação masculina desse monstrengo, é claro: o namorado-pai ou o marido-pai, chato, ranzinza, castrador, controlador, insuportável.

Verdade que em relacionamentos longos há momentos em que o homem pode passar por uma doença, um revés financeiro, um luto, e precise de um apoio mais consistente da sua parceira, pode-se até dizer um apoio materno, mas esses períodos são temporários e mesmo assim deve-se dosar esse cuidado de acordo com a necessidade real, não com o impulso de cuidar. Além de mais, ser mãe do seu homem é muito cansativo, exige um nível hercúleo de atenção e tarefas a cumprir. Não faça isso, não. Ele dá conta de cuidar de si mesmo, você não precisa nem deve infantilizá-lo.  Se você deseja um homem na sua vida, não um filho, simplesmente não aja como mãe dele.