Competição: quando todos nós perdemos

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Masterchef. The Voice. Big Brother. Dance Moms. The X Factor. Games de programas de auditório. Trânsito agressivo. Inveja entre colegas de trabalho. Irmãos ciumentos. Essa lista poderia continuar indefinidamente. Por quê? Porque estamos todos contaminados pelo vírus letal da competição.

O modo mais fácil de você desperdiçar sua vida, de se manter em coma, de ser uma morta-viva, um zumbi acéfalo, uma sonâmbula inconsciente dos machucados que gera em si mesma e nos outros, é se manter competindo o tempo todo.

Há pessoas que dizem com o peito estufado “eu não levo desaforo pra casa” ou então “eu sou muito competitiva”, como se esses comportamentos fossem qualidades! Toda vez que ouço alguém dizer isso, tenho vontade de mandar uma coroa de flores em memória àquela vida que já acabou faz tempo. Porque se um perde e o outro ganha, todos perdem.

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Aqui vai uma situação cotidiana para que você repense suas reações: experimente na próxima reunião profissional ou de família se calar assim que alguém te interromper e deixar que essa pessoa fale até esgotar o assunto. Quando ela terminar, você continua do exato ponto em que parou (a não ser que intervenção dela tenha acrescentado algo digno de nota, coisa que provavelmente não acontecerá: o ansioso não tem conteúdo). Não é competindo que você se destaca: é se negando a competir. Mas e se for um debate? Você será mais respeitada e ouvida falando 2 minutos serenamente do que meia hora esganiçando.

Enquanto você compete com tudo e com todos, você não vive, você vegeta. Viver não é competir, é o oposto: é cooperar. Vida pulsante, vibrante, quente, luminosa é cooperação. Qualquer atitude ou pensamento que seja colaborativo te expande, te acorda, te fortalece tanto quanto ideias e ações competitivas te amesquinham, enfraquecem, selam o seu corpo numa mortalha.

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Competir é algo tão danoso quanto comum – e acontece até mesmo nas ocasiões mais inesperadas. Outro dia soube que uma conhecida havia acabado de passar por uma situação dolorosa e a procurei: “Eu também já passei por isso, se você quiser desabafar, conta comigo”.  A resposta que essa moça me deu fez com que eu fugisse dela horrorizada. Erguendo a voz agressivamente (coisa que eu abomino), ela me disse: “Mas eu aposto que o seu caso não foi tão ruim quanto o meu!”. Oi? Ela estava competindo comigo para ver quem se ferrou mais? Não, obrigada. Minha oferta expirou ali.

Portanto, eu te peço algo simples e difícil: primeiro perceba o quanto você funciona no modo competição e depois desligue essa chave. Substitua, em todos os seus atos, a competição pela colaboração. Mesmo que só você faça isso, siga sem cessar de alma leve – porque competir é desperdiçar a vida numa anestesia cheia de pesadelos – além de ser burrice.

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