Como distinguir um canalha fanfarrão de um homem que vale a pena?

12ba7f03-479c-4a6d-abed-231a49e6985c

Você já ouviu um homem que te interessa falar que tem medo de se envolver ou que precisa ficar sozinho? Essas duas situações não são lendas urbanas: elas acontecem. Podem ser apenas desculpas esfarrapadas? Podem, mas ao lado dos canalhas fanfarrões, existem, sim, homens que estão falando a verdade. Aliás, entre o canalha e o homem que vale a pena existe uma plêiade de tipos que muitas vezes até se cruzam num mesmo homem: o confuso, o imaturo, o leviano, o inconsequente. Então como distinguir um do outro? Como saber quando esperar ou seguir em frente?

Há duas respostas para essa dúvida, ambas eficientes e confiáveis. A primeira é sua intuição. Ela não erra: nem pro bem nem pro mal. Mas você precisa enfiar a cara no gelo ou no fogo com toda força e ter coragem de escutá-la porque nem sempre ela vai dizer o que você quer ouvir.  Você vai querer esperança e ela te trará morte. Você vai querer morte de uma vez, chega de sofrer, e ela te trará esperança.

8c4a5d92-1170-406f-b3fb-1ea70ca9e0e6

Pense em alguns exemplos que passaram pela sua vida. Percorra-os novamente agora, ponha-os em fila, parágrafo a parágrafo . Você sempre soube a resposta.

Enquanto você parece absorta na distante copa das árvores, você flagra um carinho morno na sua mão e um olhar significativo. Ele te trata bem, mas não é por amor, é pena. Ele não sabe como te dizer para ir embora. Sua intuição sente que ali não há nada além de um punhado chocho de piedade.

Houve carinho real e profundo no primeiro abraço que vocês, se esquecendo completamente de que estavam numa fila de cafeteria, trocaram longamente. Embora ele tenha tentando não ser colhido pela sua ternura, foi inevitável constatar que aconteceu um encontro raro. Sua intuição diz: haverá dor, mas espere.

Ele te pega e te larga, numa semana se mostra decidido a construir algo com você e cheio de doçura, na outra nem uma palavra de acalanto, nem um pólen de afeto. Loucuras de estimação são pródigas em não nos amar. Enquanto nos mantém sob seu jugo, seus corações estão blindados: não há qualquer fresta ali. Sua intuição sabe que é inútil bater numa porta fechada.

a9e824e1-9097-4525-af19-b2b105bb15f6

Numa manhã, as lágrimas dele são como um luar líquido prateando sua cama. Você se emociona ao compreender quão corajoso ele precisou ser para se desnudar daquele modo. Sua intuição sussurra: abrace-o e espere.

Ele não te manda mais músicas nem flores nem imagens solares nem bom dia nem boa noite:  a fome e a sede tomaram conta de tudo. Não vai ser dessa vez que você finalmente vai ser amada e viver um pouco: sua intuição decreta que você voltará aos livros e observará a vida apenas através das paredes da sua casa de vidro.

Seus dedos percorrem os cabelos dele sem pressa. Ele começa a dormir e você se abaixa para sentir o cheiro do seu sono. Cada pedacinho dele possui um aroma diferente. Jean-Baptiste Grenouille, do livro “O perfume”, faria uma essência perfeita com esse homem. Sua intuição inspira e diz: espere mais um pouco.

No começo desta crônica eu disse que há duas maneiras para saber quem é o homem que está se relacionando com você. A primeira delas, a que me referi durante todo o texto, é a intuição. Mas e se você estiver com dificuldade de ouvi-la? Qual caminho também eficiente e confiável existe para te guiar nessa selva romântica? É o tempo. Se esse homem disse a verdade, se ele vale a pena, ele voltará – para ficar.

d5ebe463-5a02-497e-872c-de3d8e7091bb