O que o feminismo tem a ver com sua vida romântica?

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Você acha que o feminismo não tem nada a ver com seus relacionamentos românticos ou com suas tentativas de ter um relacionamento romântico? Pois tem – e eu vou te provar isso agora.

Antes, porém, é preciso lembrar que feminismo não é o antônimo de machismo (embora o combata) e não prega a supremacia da mulher sobre o homem, mas sim a igualdade entre ambos. Por que não chamá-lo então de humanismo? Porque o objetivo do feminismo é elevar a mulher aos direitos e oportunidades que o homem já tem, o foco, portanto, é ela. Outra informação fundamental: existem muitos feminismos, dos mais radicais aos mais conservadores, cujos objetivos são quase os mesmos, mudando apenas as maneiras de se posicionar. Você não precisa concordar com todas as formas de luta, mas precisa escolher uma.

Voltando ao tema, embora não tenhamos saído dele, uma amiga me disse hoje: “dois meses de silêncio”. A que ela se referia? A uma viagem de trabalho na qual ela conheceu um homem com quem passou uma noite deliciosa. Esse homem prometeu vir a cidade dela na semana seguinte, prometeu ir com ela à reestreia de uma peça, prometeu muito amor e sexo. Os dias se passaram e não apenas ele não veio, como nunca mais falou com ela.

– Ele deve ser casado ou ter alguém, Stella, só pode. Até procurei ele no Facebook para ver se eu desvendava o mistério, mas seu nome é muito comum e eu não encontrei o perfil.

Considerando que minha amiga é uma pessoa adorável e que o tempo que ambos passaram juntos foi prazeroso, o que aconteceu com essa criatura? Será que, de fato, já existe alguém em sua vida? Será ele um lobo solitário – aquele que devora todas as ovelhas, mas não fica com nenhuma? Ou talvez um homossexual não assumido? (A mulher inteligente luta pelos direitos dos homossexuais não apenas porque é o correto, mas também porque detrás de muitos dissabores femininos estão homens que não aceitam sua verdadeira sexualidade e seguem travestidos de sedutores em série. Desse modo, na tentativa de fugir de si mesmos, eles fogem da gente).

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No caso da minha amiga e em tantos outros, o que aconteceu? Eu não sei. Mas sei, sim, o que move esses homens: egoísmo e machismo.

Por egoísmo, eles querem prazer imediato e dizem tudo o que for necessário para alcançá-lo, sem considerar um possível sofrimento seu; por machismo, eles não contam quais são as verdadeiras regras do jogo, te infantilizam, e assim não te dão o direito de escolher. Se um homem te dissesse “eu moro com alguém, mas eu quero passar essa noite com você” ou então “estou de passagem pela cidade e não acredito em relacionamento a distância, mas estou a fim de ficar com você esses dias” ele te daria direito de escolha. Quando você sabe a verdade antes, suas expectativas mudam e suas reações também. Mas ele não te dá esse direito, ele inventa um estofo emocional que não existe para não correr o risco de você atrapalhar o prazer dele. Aí está, em algo tão simples, a necessidade do feminismo. E tem mais!

Sabe aquele seu ex que não te apoiava nos seus projetos profissionais? Que boicotava sua saúde e sua paz nos momentos em que você mais precisava? Que nunca podia ficar com as crianças no dia de uma palestra importante para você? Que armava um salseiro quando você pretendia sair para dançar com suas amigas? Que trazia seu doce favorito de presente toda vez que você começava uma dieta? Que nunca se responsabilizou por evitar uma gravidez? Que fazia questão de ter sexo mesmo que você dissesse não? Que te ameaçava dizendo que encontraria na rua o que você se negava a dar a ele na cama? Que não levantava um dedo em casa para dividir as tarefas? Essas cenas são familiares?

Por isso eu repito: não é preciso concordar com todas as formas da luta feminista, mas você precisa escolher uma.

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