Por que apoiar a causa #TodasPorLAMM?

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Quando um caso de estupro se torna público, famoso, notório, ele encoraja incontáveis vítimas a sair do silêncio, assim como reprime a proteção que certos magistrados ainda conferem a tais criminosos. O que parece a causa de uma só menina é, na verdade, a causa de milhões de vítimas pelo mundo que estão agora mesmo amordaçadas pela dor e pelo medo.

Neste domingo, 11/09/2016, o programa Fantástico da Rede Globo exibiu uma matéria sobre a impunidade nos crimes sexuais contra crianças e adolescentes. Entre as entrevistadas estava LAMM, uma adolescente de 16 anos que foi estuprada pelo avô. De fato, uma monstruosidade repulsiva. Mais repulsiva ainda (e, na minha opinião, um novo estupro moral) é a sentença do juiz Eduardo Luiz de Abreu Costa que absolveu o criminoso jogando a culpa em LAMM, que ficou paralisada de terror durante a violência.Veja as palavras do magistrado:

“A não anuência à vontade do agente para a configuração de crime de estupro deve ser séria, efetiva, sincera e indicativa de que o sujeito passivo se opôs, inequivocadamente, ao ato sexual, não bastando a simples relutância, as negativas tímidas ou a resistência inerte. (…) Não há prova segura e indene de que o acusado empregou força física suficientemente capaz de impedir a vítima de reagir. A violência material não foi asseverada, nem esclarecida. A violência moral, igualmente, não é clarividente, penso”.

Pensa? Não me parece, Meritíssimo. Ser estuprada pelo avô não é também violência moral? Um delegado (o avô é delegado aposentado hoje) com 40 anos de experiência, subjugar e violar o corpo da neta de 36 quilos é o quê? Dê um nome para isso, Meritíssimo, por gentileza. Como devemos nos opor “inequivocadamente” a um estupro? Pedir para que o agressor pare um instante e assine em três vias carbonadas a confissão do crime? Uma vítima não tem direito de ficar paralisada de terror? Uma neta sendo estuprada pelo avô não tem o direito de ficar paralisada de terror?

Há dois meses, a advogada de LAMM foi ao lançamento do meu romance “Eu me possuo” (sobre superação de um estupro) e, alguns dias depois, a própria LAMM pediu um autógrafo no livro (ela estava de passagem por São Paulo). Sugeri que nos encontrássemos para eu dar o autógrafo pessoalmente. Encontrei LAMM (que hoje tem 18 anos), sua mãe e sua advogada. Conversamos por quatro horas. Foi um encontro muito tocante!  LAMM não fala sobre o ato em si, é por demais constrangedor, mas fala muito de como se sentiu depois: ela conta seu drama e chora, conta e chora. Continuo conversando com LAMM até hoje e posso dizer que essa jovem está emocionalmente em carne viva não só pelo crime que seu avô cometeu contra ela, mas pelo segundo crime também, que é a impunidade e a decisão abjeta do juiz.

O caso foi descoberto porque a mãe da LAMM flagrou a filha tentando se matar com a arma do padrasto (que é guarda florestal) e então a pressionou para saber o que estava acontecendo. A mãe, Virna Heloísa Dias, é uma mulher muito forte (o estuprador da menina, o avô, é pai dela), amorosa, protetora e naturalmente está revoltada e devastada de dor. Eu, como mãe, me coloquei em seu lugar. Nossos corações se unem e sangram!

LAMM tentou se matar outras vezes e passou muito tempo se cortando (automutilação). Agora ela transformou sua dor em vontade de viver e lutar por justiça, afinal se passaram dois anos e o avô está livre. LAMM quer também que a luta dela sirva pra ajudar outras meninas a não ficarem caladas e saberem que não estão sozinhas.

Como ajudar?

LAMM criou a hashtag #TodasPorLAMM e uma página no Facebook: Todas Por LAMM cujo objetivo é reverter a sentença legal e prender o criminoso Moacir Rodrigues de Mendonça.

Podemos curtir a página, compartilhar o caso e usar, em nossos comentários nas redes sociais, a hashtag #TodasPorLAMM (vale dizer que os homens também são bem-vindos a essa luta).

Desde que nos encontramos, sigo sempre conversando com LAMM. Sei que sua recuperação está no início – e essa recuperação passa, forçosamente, por algo chamado JUSTIÇA.

Nossa ajuda é pequena, mas terá um impacto imenso na vida dela e de outras vítimas de estupro e pedofilia!

#TodasPorLAMM